quinta-feira, 24 de maio de 2012

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA PREOCUPA MORADORES DE POTIRETAMA

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA PREOCUPA MORADORES DE POTIRETAMA (Vejam o texto na íntegra)

Reunião com moradores da zona rural de Potiretama
Na tarde do último dia 18, moradores das comunidades de Caatingueirinha, Baixinha, Bom Futuro, Sítio Mão Direita, Sítio Serrote do Mato e Baixa do Jatobá, estiveram reunidos com representante da Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte e do Sindicato dos Trabalhadores(as) Rurais de Potiretama para discutir a situação de emergência que vive essas comunidades por falta de água. Com a média pluviométrica, que segundo os moradores foi de apenas 360 mm, não houve condições necessárias para a garantia do acúmulo de água para beber nas mais de 1.250 cisternas de placas construídas no município, bem como não houve acúmulo de água para produção de alimentos, sejam os alimentos produzidos a partir da quadra invernosa, seja os alimentos produzidos nas experiências dos quintais produtivos que contam com 47 cisternas calçadão com a finalidade de garantir a continuidade da produção da agricultura familiar. Vale ressaltar que hoje as famílias de agricultores/as dessas experiências estão articuladas em rede garantindo uma sistemática de Feiras da Agricultura Familiar e Economia Solidária mensalmente no município, bem como estão fornecendo esses alimentos para a merenda escolar (PNAE).

Caixa de texto: Cisterna Calçadão – todas as existentes no município estão secas sem poder dar continuidade a produção e correndo o risco rachar caso não seja colocado água.Os moradores afirmam que a defesa civil está disponibilizando água, porém  não está sendo suficiente para suprir as necessidades das famílias, a exemplo a comunidade de Baixa do Jatobá onde são disponibilizadas somente 05 carradas d’água por mês para 18 famílias. Na região onde choveu um pouco mais (Mão Direita) somente uma família ainda conta com água de beber captada da chuva. Os moradores contam que muitas famílias já estão comprando água e uma carrada custa em média R$ 60,00. Outras famílias estão à procura de outros estados em busca de trabalho e alimento. “As famílias do ‘Sítio Serrote do Mato’ não têm mais alternativas”, conta a agricultora Célia, entristecida com a situação que vive as comunidades. E mais tristes ficam os moradores quando em oportunidade durante as comemorações da semana do município, o prefeito de Potiretama, Chico Adelmo, pronunciou em alto e bom tom que a cidade está maravilhosa. Na oportunidade estava presente o vice-governador Domingos Filho, além dos deputados Marcos Cals e Zezinho Albuquerque. Indignados e revoltados com a situação os moradores reivindicam que:


1- Seja declarado com urgência estado de calamidade pública no município;
2- Que a Secretaria de Agricultura do Estado e a Prefeitura garanta o abastecimento de água para a produção de alimentos nas cisternas de calçadão com a finalidade de garantir a segurança alimentar junto às famílias beneficiadas pelo P1+2;
3- Que os poderes públicos, municipal e federal, se organizem de forma a garantir o abastecimento necessário, aumentando o número de carros pipas, as cisternas cadastradas e os tickets de distribuição para abastecer as famílias com água de beber;
4- Seja feita com urgência o pagamento da última parcela, além de aditivo de mais seis parcelas no programa seguro safra;
5- Seja efetivado um auxílio às famílias que não estão enquadradas no programa seguro safra.

ASA lança documento conclamando sociedade a coibir Indústria da Seca

FONTE: ASA - Articulação no Semiárido Brasileiro.


Além de orientações para controle social dos recursos emergenciais, declaração defende continuidade do P1MC e P1+2 e suspensão imediata das cisternas de plástico
Verônica Pragana - Asacom
Recife - PE
21/05/2012


Paisagem do Semiárido sem chuva. É preciso estar atento para a água não ser usada em troca de voto.

       Com especial atenção às medidas combativas da Indústria da Seca, a Articulação no Semi-Árido (ASA) lançou hoje (21) a “Declaração sobre o atual momento da seca no Semiárido”.  O documento, que será entregue para a presidente Dilma Roussef, governantes estaduais e municipais, orquestra ações da sociedade civil para coibir o uso eleitoral da água, prática bastante comum em épocas de dependência do carro-pipa, especialmente, em ano de eleição.

      “Cuidado, cidadão, para que este abastecimento, feito enquanto direito e com recursos públicos, não se torne instrumento de manipulação política e de enriquecimento ilícito. Infelizmente já há sinais de que esta prática não foi extinta, dado que começa a se manifestar e atuar em determinados espaços e municípios”, destaca um trecho do documento.

      A declaração de oito páginas divulga várias estratégias de mobilização da sociedade civil para que acompanhe o uso dos recursos públicos destinados a minimizar os efeitos da seca. Uma destas estratégias é conclamar as comissões municipais, que reúnem mais de três mil organizações da sociedade civil com atuação em quase 95% dos municípios do Semiárido, para fazer o controle dos recursos.

      Entre as ações emergenciais, um dos tópicos dirige-se ao governo federal para que seja instituído um disque-denúncia, como um canal entre os cidadãos e os órgãos competentes, para a coibição de práticas que desrespeitam o direito à água. Há também um chamado para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a criação de uma campanha que alerte a população para não trocar água por voto.

      “O Brasil tem o dever ético de não consentir que as medidas de emergência e socorro às pessoas se transformem em instrumentos de manipulação e desvirtuação das eleições”, assegura a declaração.

      Já as medidas estruturais indicadas são organizadas em quatro temas: acesso à água, acesso à terra, assistência técnica e acesso ao crédito rural, e comercialização e banco de sementes.

      No campo de acesso à água, a primeira reivindicação é a continuidade imediata do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, e início das ações de cisternas de consumo humano e de produção contratadas entre o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e os estados. E a segunda proposta é a suspensão urgente do processo de instalação das cisternas de polietileno (plástico/PVC).

      “Não se justifica, em hipótese alguma, que o Estado brasileiro opte por cisternas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de custo, adquiridas de multinacionais, ao invés das cisternas de placas que utilizam produtos adquiridos no mercado local, têm tecnologia dominada pelos agricultores, utilizam mão-de-obra local, são mais baratas (menos de 50% do custo das outras) e têm eficiência comprovada”, afirma a ASA através do documento.

Para ter acesso à declaração na íntegra, clique aqui.

terça-feira, 8 de maio de 2012

ABAIXO ASSINADO VIRTUAL - Fim à Escravidão no Brasil.

Em poucos dias, o Congresso pode votar uma histórica reforma constitucional que pode punir pessoas que mantenham escravos e confiscar terras onde forem encontradas pessoas escravizadas para reforma agrária. É a legislação mais forte que já propuseram para lutar contra o flagelo do trabalho escravo no Brasil.

É inaceitável que, no século 21, o horror da escravidão ainda assombre todos os cantos do país -- à medida que centenas de milhares pessoas são escravizadas atualmente. No mês passado, adultos e crianças foram resgatados de uma fazenda cujo proprietário era um deputado estadual! Eles moravam em pequenas barracas e bebiam da mesma água suja que as vacas e outros animais.

Agora é hora de agir. Nosso protesto em todo o país pode forçar o Congresso a fazer os donos de fazenda pagarem o preço por torturarem ou escravizarem seus concidadãos. CLIQUE AQUI E ACESSE O ABAIXO ASSINADO VIRTUAL para se juntar e construir um protesto ensurdecedor antes da Avaaz se reunir pessoalmente com o Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, para entregar nossa mensagem.

Destinação final de resíduos sólidos em aproveitamento energético, artigo de Roberto Naime.

      O processo de produção de energia a partir de tratamento térmico e geração de energia a partir dos resíduos urbanos não recicláveis é altamente favorável sob várias dimensões de análise.
      Desde que realizado após criteriosa e abrangente institucionalização de coleta seletiva contribui para que todos os materiais com mercado de reciclagem firme sejam convenientemente atendidos.
      Contribui para geração de emprego, renda e ocupação para toda uma extensa faixa de população menos favorecida que tem nos mecanismos de reciclagem e catação um forte instrumento de inclusão social.
Auxilia a economia ambiental de forma holística ao propiciar que matérias-primas de diversas naturezas entrem novamente no ciclo produtivo, evitando os impactos ambientais gerados pelo processamento de novas matérias-primas, de fontes renováveis ou não.
      Somente serão submetidos ao tratamento térmico para recuperação energética uma boa parte da matéria orgânica e os materiais não-recicláveis. O histórico dos municípios integrantes da bacia hidrográfica do rio dos Sinos e consorciados no consórcio intermunicipal de saneamento básico do rio dos Sinos – Pró-Sinos é de amplas iniciativas já históricas de muito tempo, apoiando cooperativas de catadores e operações de reciclagem em geral.
      Não existe motivo para suspeitar que a negligência da prática pública de optar pelas soluções simplificadas como a recuperação energética, coloque em risco iniciativas do mais amplo apoio e repercussão social na sociedade dos municípios integrantes da bacia.
      Outro bom motivo para esta solução será a presença em curto espaço de tempo de grandes quantidades de lodo e matéria orgânica advindos de estações de tratamento de esgotos, que tem umidade elevada mas também alto poder calorífico e terão na solução integrada de incineração um forte apelo de destinação correta, pois em caso contrário serão elevadas as despesas com destinação final deste material em aterros sanitários.
      Existem várias tecnologias disponíveis e apresentadas ao longo do relatório, mas em geral o tratamento térmico dos resíduos em fornos ocorre em média em temperaturas de 950º C e a oxidação dos gases nas câmaras de pós-queima atinge temperaturas em torno de 1050°C, com tempo de residência muito reduzido, em torno de segundos de tempo.
      As cinzas são recolhidas em arrastadores submersos em corrente de água e lançadas no próprio decantador das usinas. Há uma extensiva discussão de gases gerados ao longo do trabalho, e esta preocupação se justifica na medida que os órgãos ambientais tem reservas históricas e justificadas de precaução quanto às possibilidades de geração de efluentes gasosos que poluam a atmosfera.
      Dados pesquisados de relatórios do Ministério do Meio ambiente, preservação ambiental e segurança nuclear da República Federal da Alemanha asseveram que nas novas tecnologias para recuperação energética a partir de resíduos sólidos, os níveis de dioxinas e furanos são extremamente baixos e controlador, inferiores a unidade parte por milhão, e mais influenciados por lareiras domésticas do que propriamente pelas usinas.
      Os gases quentes (cerca de 1000º C) são aspirados através de uma Caldeira de Recuperação, onde é produzido vapor a 45 Bar de pressão e 400° C.
      O vapor gerado pela caldeira poderá acionar Turbos-geradores, que propiciem a geração de aproximadamente 600 kW de energia elétrica por tonelada de lixo tratado. É muito importante observar-se que a energia gerada é um sub-produto do processo de destinação final ambientalmente correta do lixo urbano e como tal uma Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos nunca deve ser comparada com hidrelétricas ou termelétricas, cuja única função é a geração de energia.
      A recuperação energética aproveita o potencial de geração contido nos resíduos que seriam simplesmente destinados a um aterro sanitário, gerando um passivo ambiental imensurável. A coleta seletiva e reciclagem prévia contribui para a geração de emprego e renda entre as camadas menos favorecidas da população e para a conservação de energia contida nos materiais remetidos para a indústria de reciclagem.
      Os gases exauridos na caldeira de recuperação, geralmente sofrem processos de neutralização considerando que os processos ocorrem em circuito fechado, com filtros de mangas, lavadores de gases e até mesmo tanques de decantação. Desta forma as usinas de recuperação de energia não liberam qualquer tipo de efluente líquido.
      Normalmente os processos de lavagem dos gases utilizam filtros de mangas que capturam os materiais particulados e posteriormente são resfriados e lavados no interior de lavadores com “spray jets” e “barreiras de soluções alcalinas micronizadas por hélices turbinadas ou mecanismos similares, num processo que se denomina polimento dos gases.
      Ainda podem ser instalados exaustores após a filtragem, garantindo que todo o sistema de combustão dos resíduos opere em pressão negativa, impedindo também qualquer vazamento dos gases da combustão diretamente para a atmosfera em caso de acidente.
      Os projetos são muito diversificados, mas normalmente a solução de lavagem é recolhida em tanques de decantação onde ocorrem neutralizações com cinzas do próprio processo ou substâncias como hidróxidos de sódio.
      As cinzas resultantes constituem quantidades em geral inferiores a 10% da massa de resíduos iniciais e podem ser utilizadas em substituição aos materiais arenosos em artefatos de construção civil.
      Qualquer que seja o projeto de recuperação energética, deve constar especificação para que o mesmo seja analisado de acordo com a convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). E também tendo precauções quanto a eliminação de CO, operação em pressões negativas para evitar acidentes e sejam submetidos a temperaturas elevadas em estágios para oxidação dos gases.
      É também recomendável que a tecnologia submetida seja elaborada ao Sumário de Formulações Políticas do IPCC da ONU (Intergovenamental Painel Climate Change ou Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas).
      A expectativa da consultora é que qualquer processo desta natureza que reduz a emissão de gases de efeito estufa, particularmente CH4 e CO2 – gases que constituem juntos mais de 80% das emissões registradas pela bibliografia em resíduos sólidos, sejam capazes de promover a certificação do projeto como mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) e os respectivos certificados de redução de emissões (CERs) sejam passíveis de comercialização como créditos de carbono.
      Este procedimento poderá ser bastante ampliado, considerando a redução das distâncias de transporte dos resíduos que irão gerar redução nas emissões de CO2 dos veículos transportadores e outros processos que possam ser otimizados.

Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: ECODEBATE 08/05/2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sustentabilidade e Educação.

"Ser humano, Terra e natureza se pertencem mutuamente.
Por isso é possível forjar  um caminho de convivência pacífica.
É o desafio  da educação", escreve Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.

Eis o artigo.

Fonte: IHU.


      A sustentabilidade, um dos temas entrais da Rio+20, não acontece mecanicamente. Resulta de um processo de educação pela qual o ser humano redefine o feixe de relações que entretém com o Universo, com a Terra, com a natureza, com a sociedade e consigo mesmo dentro dos critérios de equilíbrio ecológico, de respeito e amor à Terra e à comunidade de vida, de solidariedade para com as gerações futuras e da construção de  uma democracia sócio-ecológica sem fim.

      Estou convencido de que somente uma processo generalizado de educação pode criar novas mentes e novos corações, como pedia a Carta da Terra, capazes de fazer a revolução paradigmática exigida pelo risco global sob o qual vivemos. Como repetia com freqüência Paulo Freire:”a educação não muda o mundo mas muda as pessoas que vão mudar o mundo”. Agora todas as pessoas são urgidas a mudar. Não temos outra alternativa: ou mudamos ou conheceremos a escuridão.

      Não cabe aqui abordar a educação em seus múltiplos aspectos tão bem formulados em 1996 pela UNESCO: aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos; eu acrescentaria aprender a cuidar da Mãe Terra e de todos os seres.

      Mas este tipo de educação é ainda insuficiente. A  situação mudada do mundo exige que tudo seja ecologizado, isto é, cada saber deve prestar a sua colaboração a fim de proteger a Terra, salvar a vida humana e o nosso projeto planetário. Portanto, o momento ecológico deve  atravessar todos os saberes.

      A 20 de dezembro de 2002 a ONU aprovou uma resolução proclamando os anos de 2005-2014 a Década da educação para o desenvolvimento sustentável. Neste documento se definem 15 perspectivas estratégicas em vista de uma educação para  sustentabilidade. Referiremos algumas:

      Perspectivas socioculturais que incluem: direitos humanos, paz e segurança; igualdade entre os sexos; diversidade cultural e compreensão intercultural; saúde; AIDS; governança global.

      Perspectivas ambientais que comportam: recursos naturais (água, energia, agricultura e    biodiversidade); mudanças climáticas; desenvolvimento rural; urbanização sustentável; prevenção e mitigação de catástrofes.

      Perspectivas econômicas que visam: a redução da pobreza e da miséria; a responsabilidade e a prestação de contas das empresas.

      Como se depreende, o momento ecológico está presente em todas as disciplinas: caso contrário não se alcança uma sustentabilidade generalizada. Depois que irrompeu o paradigma ecológico, nos conscientizamos do fato de que todos somos ecodependentes. Participamos de uma comunidade de interesses com os demais seres vivos que conosco compartem a biosfera. O interesse comum básico é manter as condições para a continuidade da vida e da própria Terra, tida como Gaia. É o fim último da sustentabilidade.     

      A partir de agora a educação deve impreterivelmente incluir as quatro grandes tendências da ecologia: a ambiental, a social, a mental e a integral ou profunda (aquela que discute nosso lugar na natureza). Mais e mais se impõem entre os educadores esta perspectiva: educar para o bem viver  que é a arte de viver em harmonia com a natureza e propor-se repartir equitativamente com os demais seres humanos  os recursos da cultura e do desenvolvimento sustentável.

      Precisamos estar conscientes de que não se trata apenas de introduzir corretivos ao sistema que criou a atual crise ecológica mas de educar para sua transformação. Isto implica superar a visão reducionista e mecanicista ainda imperante e assumir a cultura da complexidade. Ela nos permite ver as interrelações do mundo vivo e as ecodependências do ser humano. Tal verificação exige tratar as questões ambientais de forma global e integrada. Deste tipo de educação se deriva a dimensão ética de responsabilidade e de cuidado pelo futuro comum da Terra e da humanidade. Faz descobrir o ser humano como o cuidador de nossa Casa Comum e o guardião de todos seres. Queremos que a  democracia sem fim (Boaventura de Souza Santos) assuma as características socioecológicas pois só assim será adequada à era ecozóica e responderá às demandas do novo paradigma. Ser humano, Terra e natureza se pertencem mutuamente. Por isso é possível forjar  um caminho de convivência pacífica. É o desafio  da educação.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Gritos dos/as Excluídos/as 2012

      O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo. È um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos(as).
      O Grito dos(as) Excluídos(as), como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos:
  • denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social;
  • tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome;
  • propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.
      O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.
      As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos – e se estendem por todo o território nacional.
      Em 2012 o Grito dos(as) Excluídos(as) traz como tema: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”

Ajude a divulgar e faça parte desta manifestação popular!

Materiais para download

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Belo Monte é debatida em coletiva realizada na 50ª AG dos Bispos do Brasil

      Realizada na tarde desta segunda-feira, 23 de abril, a entrevista coletiva concedida durante a 50ª Assembleia Geral (AG) dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), abordou temas como a construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, laicidade do Estado e a colaboração solidária entre as dioceses.
      Participaram da coletiva o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, que coordena a comissão das celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II; o bispo de Ipameri (GO), dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal para a Caridade, Justiça e Paz; e o bispo prelado do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, que é também presidente do Consenho Indigenista Missionário (CIMI).
Ao ser questionado sobre a atual situação de Altamira, no Pará, local onde está sendo construída a usina, dom Erwin foi enfático ao mencionar o descaso do governo com as populações locais. “Em 2009, estive pessoalmente com o então presidente Lula que me garantiu que haveria diálogo em relação à realização da obra. Estamos esperando até hoje. O povo não teve espaço para se manifestar, não houve diálogo”, ressaltou.
      Dom Erwin ainda salientou as mazelas em que vive a população de Altamira. “Eu sei disso porque eu vivo lá! Cerca de 40 mil pessoas serão atingidas e ainda não se sabe para onde eles vão. As escolas estão sucateadas, não há vagas nos hospitais, a prostituição e a violência ocorrem à luz do dia e a céu aberto.” O bispo prelado do Xingu e presidente do CIMI ainda destacou as extensas e intensas jornadas de trabalho e a grande especulação imobiliária que ocorreu na região. “Um aluguel que antes custava R$ 300 hoje custa R$ 2 mil.”
      Com relação a Belo Monte, o governo federal afirmou que nenhum índio seria atingido, mas, segundo dom Erwin, trata-se de falácia. “Vão cortar as águas dos povos indígenas e eles sobreviverão como? O que acontece ao povo daquela região é contra a dignidade humana. O governo discrimina este povo e nos trata como brasileiros de segunda classe.”
      Dom Guilherme reforçou o posicionamento de dom Erwin e contou que participou, na semana passada em Brasília (DF), de um debate entre o governo federal e atingidos por barragens. “Ouvimos do ministro de Minas e Energia (Edson Lobão) que o Brasil deve optar entre desenvolvimento ou não, em ter as usinas ou não. Dizem que as usinas geram energia limpa, mas elas não podem ser assim consideradas. Como chamar de energia limpa quando as terras mais férteis são inundadas, quando há grandes impactos ambientais e sociais?”, questionou.
      Durante a manhã desta segunda-feira, foi aprovado, por unanimidade, um projeto que deverá promover a solidariedade entre as dioceses nos próximos cinco anos. A partir de agora 1% da receita ordinária mensal de cada diocese irá compor um fundo que será utilizado na formação de seminaristas das dioceses mais pobres.
      A respeito da laicidade do Estado, o cardeal Odilo Scherer explicou que a Igreja não tem problemas com esta questão. “O Estado não pode assumir uma identidade religiosa, de outro lado, o pensamento ateu não pode prevalecer”, declarou o arcebispo. “O Estado é laico, mas a sociedade é religiosa.”
      A Cáritas Brasileira, representada por dom Flávio Giovenale, presidente da entidade, e Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional, participa da 50ª AG dos Bispos do Brasil que ocorre até a próxima quinta-feira, 26 de abril, em Aparecida (SP).


Leia também:
por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira / Secretariado Nacional, com informações da CNBB

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ENCONTRÃO DE INTERCÂMBIO E PLANEJAMENTO COM CATADORES EM FLORES

Aconteceu no dia 19 de Abril, em Flores, o Encontrão de Intercâmbio e Planejamento das Ações dos catadores/as de materiais recicláveis. O encontro teve como objetivos principais: Partilhar a experiência da coleta seletiva com inclusão de catadores/as do grupo CODMAF (Comitê de Defesa do Meio Ambiente de Flores); Debater a elaboração de proposta da coleta seletiva municipal (Limoeiro, Russas/Flores e Quixeré) a partir dos catadores/as; Planejamento das ações em rede e municipais em 2012.
O encontro iniciou num clima de reflexão coletiva motivada pela parábola do semeador, onde cada um e uma pôde se apresentar e semear as sementes que desejavam para o dia e a continuidade de nossas ações. Várias foram as sementes, dentre elas, as sementes do amor, da esperança, união, prosperidade, felicidade, fortalecimento, desejo de continuar e não desistir da luta.
            Motivados/as pelo semear, o encontro seguiu com a partilha da experiência concreta que havia sido semeada em outubro de 2011 pelo grupo CODMAF. Experiência da coleta seletiva com a inclusão de catadores/as. Um grande destaque da partilha foi o depoimento do Catador Adil que relatou o que mudou a partir da coleta:
Adil dando seu depoimento...
“Há dois anos que eu trabalho no Ramal de Flores, antes eu tinha um resultado baixo na quantidade do material e na venda. O que melhorou foi à qualidade do material coletado, a minha renda e a população que abraçou a causa, que chegava a esperar até 3 meses para eu passar fazendo a coleta, demorei devido a problemas de saúde...”
Na Partilha de Adil, ele teve a oportunidade de relatar as dificuldades e desafios encontrados. Novamente Adil partilha que, mesmo tendo melhorado o preço, essa ainda é uma grande dificuldade, pois ainda não conseguem fazer a comercialização coletiva, mesmo num grupo reduzido de catadores. Outra questão é a infraestrutura para guardar o material coletado, não tem galpão, cada um armazena em suas residências, não tem equipamento para pesagem do material. Que lição Adil tira da experiência? Ele mesmo diz: “Precisamos da união para comercializar, colocar o preço.”
            Após a partilha os catadores/as se reuniram para refletir a coleta seletiva em seus municípios a partir da experiência apresentada, procurando elencar os destaques da experiência e construir a proposta da coleta em seus municípios para logo em seguida partilhar na plenária.
            O grupo também pensou as atividades coletivas de mobilização tendo as Marchas Municipais e Audiências Públicas como atividades a serem pensadas e realizadas nos municípios com a participação de todos os Catadores da Região.
            Terminamos o encontro com a esperança de termos semeado um grande multirão de organização da Classe Trabalhadora dos/as Catadores/as de Materiais Recicláveis no Vale. Um destaque especial para a galera do CODMAF, que foram parceiros importantíssimos para que esse momento acontecesse, desde a articulação das questões práticas do encontro, como também das atividades promovidas junto com as crianças, filhos e filhas de Catadores/as, que as mães levaram. No final, as mesmas crianças mostraram as pinturas feitas nas atividades, revelando seus sonhos de crianças filhas de Catadores...

ENCONTRÃO CATADORES 19/04/2012 - Flores
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